“Saí frustrado”, diz ex-diretor geral da Academia de Segurança Pública

Esta matéria foi publicada por em 18 de janeiro de 2013 às 14:53

Por um ano e três meses, o cientista social César Barreira foi diretor geral da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp). Assumiu o cargo em maio de 2011, quando o equipamento começou a funcionar. Dizia ter como missão dar tratamento humanitário à formação dos policiais cearenses. Foi exonerado do cargo em agosto de 2012, substituído pelo tenente-coronel John Roosevelt de Alencar, à época comandante do Batalhão de Policiamento Comunitário (Ronda). “Saí frustrado e, ao mesmo tempo, aliviado”, resume.

O descontentamento deu-se pelo fato de não ter conseguido fazer o projetado. “Não consegui caminhar muito. Ali, tem que se trabalhar com um grau forte de desmilitarização, com uma formação humanística, com uma forte formação técnica. Mais do que resistência (à humanização da formação), havia dificuldade de a filosofia ser entendida. Tem coisa impregnada que dificultava colocar em prática.”

De volta à coordenação do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV/UFC), de onde saiu para tocar a Aesp, Barreira defende uma atuação policial voltada à contenção de conflitos sociais. De mais diálogo. É da tese de que, sozinha, a Secretaria da Segurança não reduzirá os assassinatos. Parcerias com Saúde, Educação e Trabalho e Desenvolvimento Social são cruciais. Porque segurança “tem a ver com a desigualdade social. E Fortaleza é uma das mais desiguais da América Latina”, pondera. O argumento é reforçado por estudo do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) divulgado em agosto do ano passado.

César alerta para a alta frequência de pessoas feridas à bala atendidas nos hospitais da Capital. Conforme ele, a proporção de dez anos atrás era de um caso por arma de fogo para nove por arma branca. Hoje, é o inverso. Antes, a idade média das vítimas era de 30 anos. Atualmente, os atendimentos já afetam as que têm a partir de 14 anos.

Ele reconhece o esforço da PM para apreender armas. Contudo, critica a inexistência de um mapeamento detalhado de onde elas foram coletadas, quem eram os proprietários, para que fim seriam utilizadas e onde circulam. “Temos que bloquear o tráfico de armas legais e ilegais. Enquanto não determos o uso de armas de fogo, não vamos conseguir diminuir. Se não tivermos essa política de reter o mercado, é enxugar gelo.”

O estudioso discorda da tese da SSPDS de 90% dos assassinatos ligados ao tráfico. Para ele, há superestimação. “Tenho medo que se coloque tudo na vala comum. Isso impede de sabermos a real situação. E a gente só vai superar quando souber a real situação. Não adianta encobrir.”

Para reduzir os índices, o professor sugere a realização de campanhas massivas de envolvimento popular no sistema de segurança e mudanças no perfil policial, que precisaria trabalhar de forma mais bem articulada. “A Polícia precisa perder o caráter militar e ter um treinamento melhor para estar preparada para a complexidade do mundo contemporâneo. É preciso lidar com questões da juventude, de gênero, de turismo. Temos uma ausência grande de segurança. Segurança não são só ações pontuais. De jeito nenhum.”

César Barreira cita o êxito das políticas colombianas, mantidas independente de quem comandasse a Polícia ou o Governo. “É preciso mapear todos os conflitos: os homicídios, a circulação de armas… Aqui, as polícias caminham quase em rumos diferentes. É preciso uma leitura mais aberta e menos militarizada. Enquanto não houver mudança, não visualizo chance de controle (dos homicídios).”

Fonte: O POVO

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